As medidas do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e a perspectiva de recuperação do cenário econômico vêm se refletindo no aquecimento da demanda por imóveis, principalmente pelas unidades destinadas à baixa renda, o que trouxe novas perspectivas para a maior parte das incorporadoras que atuam no segmento. Na divulgação dos resultados do primeiro trimestre, a PDG Empreendimentos e a MRV Engenharia elevaram suas projeções. A Gafisa e a controlada Tenda anunciaram metas para este ano. A Rossi Residencial informou que está migrando de um cenário conservador para um moderado. Algumas empresas ainda evitam falar em guidance (projeções de negócios).
O pacote habitacional foi lançado pelo governo federal em 25 de março, com início efetivo de implantação em 13 de abril. Desde o anúncio do Minha Casa, Minha Vida, as incorporadoras de capital aberto já focadas no segmento econômico - MRV, PDG, Rodobens Negócios Imobiliários e Tenda - deixaram claro que poderiam ampliar ainda mais a produção para essa faixa em decorrência do programa.
Em razão do programa, a PDG revisou a projeção de lançamentos próprios em 2009 para a faixa de R$ 2,8 bilhões a R$ 3,5 bilhões. A projeção anterior era que a companhia lançaria de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões. "Devido ao plano anunciado pelo governo, nossas vendas estão bem fortes", disse o diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores da PDG, Michel Wurman, ao comentar a revisão. O aumento da meta refere-se a projetos voltados para renda familiar de três a seis salários mínimos.
A MRV revisou a projeção de vendas contratadas de 2009 para a faixa de R$ 2,4 bilhões a R$ 2,9 bilhões, ante o intervalo estimado, anteriormente, de R$ 1,6 bilhão a R$ 2 bilhões. No primeiro trimestre, as vendas contratadas atingiram R$ 430,1 milhões, 26,4% acima do mesmo período do ano passado. O pacote e a redução das incertezas em relação ao rumo da economia brasileira possibilitaram que a Gafisa definisse projeções para este ano, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Alceu Duílio Calciolari.
A Gafisa projeta vendas consolidadas de R$ 2,7 bilhões a R$ 3,2 bilhões este ano, incluindo as da própria companhia, da Tenda e de Alphaville. A participação da Gafisa nas vendas será de R$ 1 bilhão a R$ 1,2 bilhão, da Tenda, de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,6 bilhão, e de Alphaville, de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões.
Antes do acirramento da crise, a projeção de lançamentos da Rodobens em 2009 era de R$ 1 bilhão. "Com a crise, as empresas pararam de anunciar guidances. Em função do pacote, voltamos a ter expectativa de crescimento forte", disse o diretor-presidente da companhia, Eduardo Gorayeb. Em abril, as vendas da Rodobens aumentaram entre 70% e 80% em relação a março.
As vendas contratadas da Rossi caíram 10% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 283 milhões, e os lançamentos tiveram queda de 20%, para R$ 143 milhões. No primeiro trimestre, a empresa trabalhou com cenário conservador, segundo o diretor financeiro Cassio Audi. Com a recuperação das vendas, a Rossi passou a considerar um cenário moderado, em que os lançamentos em 2009 ficarão "praticamente em linha com os de 2008".
Ministério das Cidades possui três áreas para moradia na Capital
O Ministério das Cidades já tem mais três imóveis públicos para destinar a projetos de moradia popular na região central de Porto Alegre. São dois imóveis do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - um edifício e um terreno - e uma área de propriedade da Secretaria do Patrimônio da União, ligada ao Ministério de Planejamento e Gestão. Na sexta-feira passada, o ministério inaugurou o primeiro conjunto habitacional popular, oriundo da revitalização de prédio que pertencia ao INSS, localizado na avenida Borges de Medeiros, no Centro.
O Residencial Utopia e Luta, financiado pelo Programa Crédito Solidário, beneficiou 42 famílias, totalizando quase cem moradores, que devem começar a ocupar as unidades com quarto, cozinha e banheiro a partir desta semana. O imóvel passou por processo de avaliação e foi alienado para os moradores. O projeto foi contratado pela Cooperativa de Produção, Trabalho e Habitação (Copernova), vinculada ao Movimento Nacional de Luta pela Moradia de Porto Alegre.
As famílias, com renda de até três salários mínimos e que têm entre integrantes de estudantes universitários a operários, pagarão R$ 25 mil por apartamento, com juro zero. O financiamento foi contratado com a Caixa. O prazo é de 20 anos. O valor de mercado de cada unidade é estimado entre R$ 35 mil e R$ 45 mil. O ministro das Cidades, Márcio Fortes, que veio a Porto Alegre para a solenidade, disse que mais 300 imóveis públicos estão sendo avaliados em todo o País para utilização no mesmo programa habitacional.
O ministro Márcio Fortes lembrou que o Fundo de Desenvolvimento Social já estava sem dinheiro e que o novo aporte possibilitará a execução de mais iniciativas. "Os imóveis não podem ficar fechados, têm de ter objetivo social", justificou.
Fonte: Jornal do Comércio | | |